Amores de uma noite apenas.
Um dia qualquer. Uma manhã qualquer. Eu sinceramente não lembro de datas, horários... quem me conhece bem, sabe que não característica minha lembrar vagamente das coisas, eu sempre lembro claramente de rostos, de nomes.
Eu só lembro que a vi. Estava sentado, pensando na minha vida, e ela apareceu assim, do nada. No começo não liguei para sua presença, só prestei atenção quando a amiga que a acompanhava fez uma leve brincadeira.
- Tá achando engraçado, né?
- Só um pouquinho... - foi quando a encarei. Não sei descrevê-la. Sei dizer somente que ela tinha cabelos castanho-escuros e pele branca, mas não muito.
Ela sorriu pra mim. Um sorriso natural, não um daqueles "sorrisos de conveniência" que já estou até me acostumando em ver. Eu adoro este tipo de sorriso.
- Qual o teu nome?
- Mário.
- O meu é Angélica, muito prazer! Essa aqui é minha amiga... - ela até me disse o nome da amiga. Mas à partir desse momento eu não queria saber de fulanas, beltranas, nem mais ninguém. Queria saber mais sobre Angélica, minha atenção estava voltada totalmente pra ela.
Apreciei o gesto nobre da amiga, que se retirou sem que nenhuma das partes se manifestasse sobre isso. Mas dava pra ver nas nossas testas o desejo de ficarmos sozinhos, apesar de eu não acreditar muito que fosse isso que Angélica sentisse também. E uma excelente conversa continuava...
- Não sei que mulher não ia querer te conhecer melhor, cara!
- Todas as que eu desejei! Elas sempre criam bloqueios quase intransponíveis para mim. - Ela apertou a minha mão. Isso é legal, mãos macias são sempre legais. - Da última vez, então... todos diziam que a garota não me merecia. No fim, eu acabei achando isso também e fui desencanando aos poucos. Ela realmente...
- E eu? Eu te mereço? - parecia uma pergunta feita para evitar que eu falasse sobre a última vez, sobre aquela garota.
- Eu... eu acho que você realmente merece muito mais que eu. Eu não sou quase nada.
Ela apertou ainda mais minha mão.
- Não pra mim. E correndo o risco de perder minha humildade, eu te mereço. E você me merece.
E dessa vez eu não fui puxado pelo pescoço para ser beijado, como em tantas outras noites. Muito menos precisei puxar alguém para poder dar um beijo, como em tantas outras tardes e manhãs. Nós nos beijamos.
Começou tudo aí.
Dias, semanas passaram. Por que tudo parecia ter acontecido numa noite apenas? Mas não me importava. Que fosse, então, a noite mais longa da minha vida! E fosse eterno enquanto durasse!
A dor maior de um coração é quando uma pessoa que você ama desaparece da sua vida. Ela sumiu.
Mas enquanto esteve na minha vida, me mostrou que, no amor, eu deveria ser auto-suficiente e dependente, tudo ao mesmo tempo. Algo que, talvez, somente eu entenderia.
Dias, semanas passaram novamente. E tudo ainda parecia uma noite apenas.
- Filho, a Angélica passou aqui mais cedo.
- Foi?! O que ela disse?!
- Ela disse que não volta mais. Mas disse que adora você. E se sente bem em saber que é recíproco. Disse também que um dia manda notícias novamente.
Minha mãe repassou o recado tão naturalmente, não me questinou nada sobre Angélica... parecia anormal, como se fosse um sonho.
E era.
O dia é 27 de dezembro. São onze da manhã, aproximadamente. É, eu sempre lembro muito bem das datas, dos fatos... este foi um sonho bom que resolvi guardar em algum canto, compartilhando com meus amigos.
- Fica bem. - disse ela ao se despedir.
E a Angélica? Não faço idéia de quem seja, não conheço ninguém com esse nome, muito menos com aquela fisionomia, que ainda está guardada na minha mente.
Obrigado por tudo. Feliz ano novo.
E este foi o conto que me fez inaugurar este blog e voltar a escrever, que me deu forças para lutar novamente pelas coisas que acredito, no momento em que estava mais depressivo. Valeu pela ajuda, Angie. Nos vemos por aí, em alguma esquina dos meus sonhos.
Atualizado por Mad_S, em 9:13 PM. Comentários:
Janelas da visão do mundo
A gélida janela de vidro me mostra um pouco do mundo. As fortes gotas que batem na mesma, denunciam a violência da chuva que cái lá fora.
Eu tomaria um banho de chuva. Mas aqui dentro é tão quente, tão confortável.
Tão seguro.
As pancadas que a vida dá me dão vontade, por muitas vezes, de ficar escondido debaixo da cama, o dia inteiro.
Pois é, há tempos não me apaixono, não dou a cara a tapa, para ver no que dá.
E tem muitas horas que eu acho bem melhor assim. Sem ninguém pra pensar em noites chuvosas como estas tem lá suas vantagens. Sem sonhos, sem esperanças.
Sem desilusões.
Parou de chover?
Sendo assim, vou dar uma volta por aí. Ficar trancado o dia inteiro pode te deixar um pouco maluco. Quem sabe visito alguns amigos, dar um pouco de alegria a um coração cansado. O meu.
...
- Ai!
- Ah!
- Você não olha por onde anda?
- Oras! Foi você que esbarrou em mim!
- Eu que esbarrei em você? Você é que não prestou atenção, tava lendo esse livro e não olhou por onde andou. Pelo menos é um livro bom.
- Eu não sabia que homens grossos gostavam de ler.
Grosso, eu? Eu é que não sabia que mulheres imbecis sabiam ler algo que prestasse. Vê se pode.
Tempos atrás, quando ainda era criança, prometi a mim mesmo que não seria um adulto chato, rancoroso, ranzinza. E olha pra mim agora! Eu sou o que prometi não ser. Será que dá tempo de mudar ainda?
- Pois é, eu gosto de ler sim. Adoro livros de crônicas, ainda mais desse autor.
- Eu amo os livros dele!
- Não gostaria...
- Tomar um café? Pode ser.
- Discutir um pouco...
- Conversar um pouco?
Não custa nada dar uma chance ao destino.
Mas só de vez em quando.
Atualizado por Mad_S, em 2:06 PM. Comentários:
