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AQuinta-feira, Novembro 08, 2007

Histórias de quinta


Cegos de coração



Quando eu me tranco no meu quarto e choro, não é pela revolta. Não sou uma revoltada, não gosto de reclamar sem motivos. É que eu vejo tudo cada dia mais tendendo ao vazio. Eu sinto que os rostos das pessoas estão transfigurados pela ação cada vez mais rápida do tempo. A pressa que esvazia seus corações, que torna tudo tão banal e simples.

O amor se esvaiu de muitos.

O mundo lá fora é triste. As pessoas fingem que procuram a felicidade. Na verdade, tudo o que procuram são compostos de carbono, algumas pedras e rochas e derivados de vegetais. Elas se medem na conquista do que acham ser o absoluto, real. O resto, ah, o resto é abstrato e não é importante.
Não falo de todos. Há ainda aqueles que sabem ter sentimentos. Não falo de exageros como de certos grupos, mas dqueles que ainda sabem ser tristes, alegres, zangados ou eufóricos. Daqueles que não esqueceram a porção infantil dos seus corpos, que é tão criticada hoje em dia. Ser criança não é mais privilégio nem das próprias crianças, que se preocupam cada vez mais em crescer mais rápido, em ter responsabilidades e vacuidades de adultos. Não poderia ser de outra forma, pois seus moldes, seu berços de sociedade são assim.

Eu choro porque eles se apegam somente ao que encaram como concreto. Eu vivo no que muitos acharia ser o vazio. Esta cegueira física me prende somente aos sons, aos toques e, especialmente, aos sentimentos. Sim, eu sou uma cega que chora por ver o mundo com o coração. Choro por sentir a maldade brotando, por ver a discórdia chegando em pontos que nossa intelectualidade não deveria permitir.
Um dia eu vi o mundo com os mesmo olhos. Eu ainda enxergava as três dimensões. Não via o amor, não via a raiva inocente, não via a alegria. Depois daquele fatídico acidente, qaundo perdi minha visão, eu pude enfim enxergar que o vazio não é o que todos acham ser. Ele é a morada dos sentimentos. E neles eu fixo a minha vida. E neles eu enxerguei as formas de tudo. Do coração, da esperança, da vida, da inocência e de tantas coisas que nós, como sociedade, encaramos como abstrato. Encaramos, cada dia mais, como supérfluo, como vazio.


Na verdade, o universo é totalmente concreto. E quando virei a exceção, a parte que a sociedade não quer ver sem ter pena ou nojo, é que eu entendi tudo. Somos todos tremendamente cegos.




Para quem viu os posts anteriores, este é um novo espaço. Nele, quero tentar escrever ou interpretar o que as pessoas me falam ou pedem aqui nos comentários da quinta-feira. Com poucos detalhes eu quero ser guiado e levar vocês por caminhos interessantes. Quando uma nova idéia aparecer, mais uma história de quinta aparecerá. Esta última vai dedicada à Imcompreendida . Abraços!


Por Mário Oliveira, às 1:05 PM. Comentários: